Pode ser um dos instrumentos da Terapia centrada em Compaixão. Chega a conter a impulsividade da atividade incessante da Voz Interna autocrítica que tanto dano faz à cognição e à nossa saúde.
A autocompaixão é uma capacidade psicológica autorreguladora, que opera sem acréscimo de sofrimento.
A Carta Compassiva consiste numa prática concreta que gera uma nova voz interna que reconhece o sofrimento desde uma situação mais estável (a escrita) do que o diálogo mental fortuito e, em geral, repetido interminavelmente. Podemos dizer que contribui para a autorregulação muito mais do que a crítica constante. Essa prática pode realizar-se três perspectivas:
1) de um amigo imaginário compassivo,
2) de si mesmo para um amigo,
3) do seu próprio eu compassivo.
O objetivo é descobrir e cultivar uma voz mais compassiva e confortadora consigo mesmo.
Permite-nos relacionar-nos com o nosso mal-estar desde outra perspetiva, aquela de quem terá de começar de uma situação de silêncio inicial para, a seguir, decidir-se a puxar pelo fio narrativo, e a um ritmo mais sossegado. Daí surge o olhar profundo contemplativo.
Somos o escritor, o cenário global escrito e o destinatário mesmo. Mais tarde, será o momento de poder
destrinçar, desde a distância que pode dar o tempo, as evocações, os ecos ou as diferentes vozes, de modo a conseguir uma maior presença da consciência na situação.
