AUDIMA

terça-feira, 28 de março de 2017

Xornadas Galegas de L.E. 2017 Aprender a surfar


O título desta sessão "Aprender a surfar" é uma alegoria de viver com mais harmonia, e da meditação.  Vai dirigido ao sentimento complexo que se alcança quando a prática está assente no dia a dia da pessoa (...)

O objectivo desta actividade de toma de consciência corporal é incrementar o grau atenção sobre o corpo. Deste modo, MNDF começa a diminuir o diálogo interno de tipo ruminativo (voz autocrítica).

No final da meditação, incluiremos uma visualização baseada na psicologia budista, sobre o cultivo de pensamentos semente : "Regar as sementes"
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Começamos por acordar a consciência no corpo, ela não está em nenhum lugar localizado, a consciência está em todos os sítios ao mesmo tempo, não sai da cabeça etc... senão que nesse lugar emerge a consciência, que esse lugar é consciente (..)

Respira profundamente. Na inspiração exploramos a máxima capacidade pulmonar, na expiração a máxima contracção pulmonar.


Todos os conflitos, lembranças, que criam um determinado clima na mente expandem-se na expiração, assim podes experimentar uma mente expandida, livre das ataduras habituais. Em cada expiração abandonas a tensão física e a tensão mental.












Scan, rastreio corporal.

(fonte principal G.G.Diex)


Começamos por acordar a consciência no corpo, ela não está em nenhum lugar localizado, a consciência está em todos os sítios ao mesmo tempo, não sai da cabeça etc... senão que quando fazemos o rastreio pelos lugares do nosso corpo podemos dizer que nesse lugar emerge a consciência, é consciente (..)

Detectaremos as sensações corporais que apareçam em cada parte do corpo, formigueiro, calor/frio, pressão, contato com a corrente de ar, roupa, comichão, etc o que exista neste momento, se nao encontrarmos nada também está bem. Detectamos, etiquetamos e continuamos com o scaneamento.

Respira profundamente para deixar a um lado sensações ou pensamentos prévios. Na inspiração exploramos a máxima capacidade pulmonar, na expiração exploramos a máxima contracção pulmonar.

((Com a inspiração tudo se expande. Todos os conflitos, lembranças, que criam um determinado clima na mente expandem-se na inspiração, assim podes experimentar uma mente sem barreiras, expandida, livre das ataduras habituais. Em cada expiração desfazemo-nos, abandonamos a tensão
física e a tensão mental. ))
Encontramos a comodidade na postura em que agora mesmo nos encontramos e ancoramo-nos na sensação de expansão (inspir) e alívio (expir)
Mantemo-nos imóveis e enraizadxs na terra que nos sustém.

Levamos a atenção plena ao pé direito, a planta do pé, calcanhar, peito do pé, tornozelo (estrutura óssea, tendões, vasos sanguíneos)  Músculos das canelas, a barriga da perna (anterior, posterior, lado externo, lado interno) > Joelho > Coxa > Quadril ou anca direita.

Pé esquerdo. (...)


Bacia (ou pelve), todo o ventre, órgãos genitais, períneo, zona anal, bexiga, intestinos, rins, estômago à esquerda, fígado à direita. Todos os músculos que recobrem o ventre: o recto, oblíquos, transversais. zona lombar, zona dorsal, omoplatas e clavículas.à

Tomamos consciência do  peito, dos pulmões, do coração de onde todo o organismo se alimenta, musculatura e pele que recobre a caixa torácica e as costelas.

A consciência emerge na zona cervical, interior da garganta, clavículas, Rastreamos o pescoço há alguma sensação corporal? à

Ombro direito e axila, braço, cotovelo, antebraço, pulso, mão
(palma, dorso, dedos e inserções) global das cervicais aos dedos da mão direita.

Ombro esquerdo e axila, braço, cotovelo, antebraço, pulso, mão (palma, dorso, dedos e inserções) global das cervicais aos dedos da mão esquerda.

A face e a musculatura facial:

Mandíbulas, queixo, lábios, língua, gengivas, músculos orbiculares da boca, céu da bocaà

Cérebro, globos oculares, pálpebras, orbiculares dos olhos, sobrancelhas e frente à Todo o rosto da frente ao queixo.
O couro cabeludo e a parte posterior da cabeça







Regando um pensamento-semente (felicidade) (Thich Nhat Hanh) 



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Agora que o corpo está relaxado, consciente e aberto, cultivaremos um pensamento semente. Estes são pensamentos que se plantam regando-os com uma intenção genuína e profunda numa terra fértil que é este estado de consciência, estado de relaxamento próximo ao núcleo da mente.

A felicidade que procuras está dentro de ti, está aqui e agora, ao teu alcance neste momento. Não se obtém logrando ser alguém nem conseguindo nada. Conecta com o interior do teu peito ali onde reside a essência. 

Desidentificamo-nos de todos aqueles pensamentos que querem convencer-nos de a felicidade ser algo afastado, alheio, ... pelo facto de sermos um ser humano temos acesso à felicidade, é uma qualidade inata, não se consegue: ou se conecta ou não se conecta com ela.

Repete enquanto estás consciente do interior do teu peito "Sou felicidade" As palavras que repetimos mentalmente fazem-nos conectar com essa felicidade inata; não vamos a imagens de lembranças: simplesmente esboça um pequeno sorriso no teu interior e deixa que a tua respiração se tinja com esse sorriso e te banhe por dentro "Sou felicidade e a felicidade torna-me livre"

Não dependo de nada nem de ninguém pois já conectei com o bem mais precioso que é a felicidade e desde aqui posso amar, desde aqui posso partilhar este estado tão belo e natural.

Respiro profundamente e deixo que o ar se tinja de sorriso e me banhe por dentro. 

Sente esta energia chegar a todos os cantos do teu corpo


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"Cada pessoa contém as sementes da bondade e da iluminação. Todos nós temos a semente búdica. Para se manifestar na nossa consciência mental temos que regar essas sementes. Quando agimos como se as pessoas tivessem essas sementes dentro delas, damos-lhes  a força e energia para ajudar essas sementes a crescer e florescer. Se agimos como se não acreditássemos na nossa bondade inerente, culpamos os outros pelo nosso sofrimento e perdemos a nossa felicidade.Pode usar a bondade que há em si mesmo para transformar o seu sofrimento e a tendência a ficar com raiva cruel e com medo. Mas você não quer jogar fora o seu sofrimento, porque você pode usá-lo. O seu sofrimento é o adubo que lhe dá o entendimento para nutrir a sua felicidade e a felicidade do seu seu amado."
Cultivar as relações:
"Você tem dois jardins: o seu próprio jardim e o da sua pessoa amada. Primeiro, você tem que cuidar do seu próprio jardim e dominar a arte da jardinagem. Em cada um de nós há flores e há também lixo. O lixo é a raiva, medo, discriminação e ciúme dentro de nós. Se você regar o lixo, vai reforçar as sementes negativas. Se você regar as flores de compaixão, compreensão e amor, você irá reforçar as sementes positivas. O que quiser fazer com que cresçam depende só de nós."

quinta-feira, 23 de março de 2017

Mindfulness aplicado na Atenção Primária à Saúde

Mindfulness Aplicado na APS


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25/10/2016
Marcelo Demarzo, médico de família e comunidade pelo Programa de Residência Médica do Hospital das Clínicas da FMRP-USP

 Encontrada em diversas tradições culturais, religiosas e filosóficas, como budismo(1) e filosofia grega antiga (em especial, nos estoicos)(2), a ideia de mindfulness (atenção plena) tem sido cada vez mais integrada na prática clínica contemporânea de forma secular, principalmente na psicologia e medicina. 
Pode-se considerar mindfulness um termo polissêmico, multifacetado ou “guarda-chuva”, que designa vários aspectos do mesmo fenômeno(3):
 - Mindfulness como estado psicológico: estado mental ou psicológico caracterizado por dois componentes principais(4): a autorregulação da atenção (self-regulation of attention) intencionalmente ao que está acontecendo a cada momento - em outras palavras, dando-se conta do fenômeno enquanto ele acontece. Esse componente aparece quando levamos nossa atenção de forma sustentada a cada atividade ou fenômeno enquanto ele está ocorrendo, em oposição ao estado de desatenção, em que nossa mente devaneia em pensamentos ou imagens sobre eventos passados ou planos futuros, ou ainda em associações de pensamentos, em geral ruminativos, sobre o que está acontecendo no presente, e consequentemente não havendo concentração na experiência direta do fenômeno; além disso, a autorregulação da atenção envolve uma qualidade mental específica, que pode ser caracterizada como uma atitude de abertura e curiosidade frente à experiência (orientation to experience), também chamada de “mente do principiante” ou aceitação (acceptance). Nesse caso, aceitação não significa resignação, mas uma atitude mental de observar o fenômeno como ele é, evitando pré-julgamentos ou ideias pré-concebidas (detached observation)(5). Seria uma atitude oposta ao que habitualmente fazemos quando entramos em contato com a realidade, qualificando-a automaticamente com base em experiências ou padrões de respostas anteriores. Esse pré-julgamento da realidade, por sua vez, pode estar associado a reações do tipo “piloto automático”, gerando viés cognitivo, que pode gerar sofrimento psíquico ou mesmo quadros de ansiedade ou depressão. 

- Mindfulness como prática: uma série de exercícios, técnicas ou práticas formais que treinam e cultivam o estado psicológico de mindfulness descrito anteriormente e são, em sua maioria, derivadas de práticas meditativas tradicionais, adaptadas principalmente do zen-budismo (“caminhada com atenção plena”, “atenção plena na respiração”), da ioga (“movimentos com atenção plena”) e da tradição vipassana (“body scan” ou “escaneamento corporal”) (3).

- Mindfulness como programa de intervenção: mais recentemente (últimas três décadas), mindfulness tem se referido a programas estruturados de intervenção, profiláticos ou terapêuticos, designados genericamente de “intervenções baseadas em mindfulness" (Mindfulness-Based Interventions - MBI). As MBI podem ser vistas como intervenções psicossociais em que as práticas de atenção plena são ensinadas de maneira estruturada e manualizada, com conteúdo bem definido, tendo como objetivo final o treinamento do estado de mindfulness ou awareness, e por fim o aprimoramento do traço de mindfulness. O programa original é o MBSR (5,6) (Mindfulness-Based Stress Reduction), criado na Universidade de Massachusetts (EUA) por Jon Kabat-Zinn no final da década de 1970, voltado a pacientes com condições clínicas crônicas. Em geral, os programas são desenvolvidos em grupo, ao longo de oito semanas, com uma sessão presencial por semana de aproximadamente duas horas, quando são ensinados e praticados os exercícios de mindfulness, associados a psicoeducação para o manejo adequado do “estresse” cotidiano. A partir do MBSR, vários outros programas foram desenvolvidos, sempre baseados nas práticas de mindfulness, mas orientados a públicos-alvo específicos, como o programa MBCT (Mindfulness-Based Cognitive Therapy), voltado a pacientes com depressão maior (unipolar) com alto risco de recaída (mais de três recaídas ou recorrências anteriores)(7); o MBRP (Mindfulness-Based Relapse Prevention), para prevenção de recaídas em casos de dependência química(8); e o MB-EAT (Mindfulness-Based Eating Awareness Training), para manejo do sobrepeso, obesidade e compulsão alimentar(9). Para além da área da saúde, os programas de mindfulness têm sido aplicados na sociedade em geral, como na educação(10) e nas organizações (11), incluindo programas voltados a escolas de ensino fundamental, ao mundo corporativo e a atletas de alto desempenho(12, 13). 

Aplicações de mindfulness na APS
No campo da saúde em geral, particularmente das práticas integrativas e complementares (PIC) como podem ser enquadradas as MBI, o acesso à melhor evidência científica para a tomada de decisão terapêutica ou profilática, visando à melhora do cuidado às pessoas e comunidades, é fundamental. Atualmente, já existem diversas revisões sistemáticas e meta-análises verificando a eficácia das MBI em uma amplitude de condições clínicas (em especial, as crônicas)(14) e não clínicas (manejo do estresse, melhora da qualidade de vida)(15), e a síntese que se pode fazer é que as MBI podem ser consideradas opções terapêuticas (e não mais “medicina alternativa”) em algumas condições mais bem estudadas, em especial naquelas com associação com sintomas de estresse psicológico, ansiedade e depressão. Apoiado nesse corpo de evidência científica, desde 2004 o sistema nacional de saúde inglês (NHS – National Health Service) tem apoiado o uso de mindfulness, em especial do programa MBCT, no tratamento de recorrência em adultos com diagnóstico de depressão maior (unipolar) . 

Acesso
Um aspecto-chave na aplicação clínica das MBI na APS, e em qualquer outro ponto de atenção num sistema de saúde, é o acesso a tais intervenções, e para isso as experiências internacionais, em especial do Reino Unido, indicam a necessidade de plano estratégico para a efetiva implementação das MBI nos serviços de saúde (para mais detalhes, sugere-se a leitura do artigo de revisão de Demarzo e colegas (2015) sobre o tema(16)). 

Promoção da saúde e políticas públicas

Para além de suas aplicações preventivas ou terapêuticas na APS, pode-se dizer que os programas de mindfulness têm impacto em todos os aspectos da promoção da saúde, compreendida em seu sentido mais amplo (no contexto da “intersetorialidade”) e moderno (como “qualidade de vida e bem-estar na sociedade”)(3). Os programas de mindfulness têm como princípio o desenvolvimento de autonomia, autoeficácia e empoderamento das pessoas por meio do treinamento da atenção plena, aspectos considerados fundamentais no conceito moderno de promoção da saúde. Além disso, mindfulness pode ter um efeito de empoderamento comunitário, ao melhorar as relações entre as pessoas em qualquer âmbito da sociedade, por meio do cultivo de uma atitude mais compassiva e empática(3,17). Por exemplo, no Reino Unido, além de mindfulness ser uma das ferramentas terapêuticas baseadas em evidência no NHS , conforme já mencionado, os próprios parlamentares têm sido treinados no conceito, com o intuito de catalisar sua inserção futura na sociedade como um todo, a partir de uma política pública que propõe a implementação de mindfulness nas áreas da educação, organizações e sistema de justiça, além da área da saúde . Por suas características, a APS, em especial de orientação comunitária, como o modelo predominante brasileiro da Estratégia Saúde da Família (ESF), somada às políticas já implantadas como o Programa Saúde na Escola (PSE) e a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), pode ser um importante modo de catalisação da implementação de mindfulness como política pública também no Brasil. 

 Aplicação em estudantes e profissionais de saúde

Estudos em estudantes e profissionais da área da saúde, incluindo equipes de APS, têm evidenciado que a prática ou participação em um programa de mindfulness pode melhorar o manejo de situações estressantes no dia a dia de trabalho, com menor risco de desenvolvimento de burnout e melhora de indicadores de qualidade de vida associada ao trabalho(18–22). Benefícios para a relação profissional-usuário têm sido demonstrados, aprimorando a abordagem centrada na pessoa, com melhora dos níveis de empatia e, inclusive, melhora dos resultados e do prognóstico dos pacientes atendidos por esses profissionais(23). Com base nesses estudos, muitas instituições de ensino têm introduzido as práticas meditativas dentro dos currículos de graduação e pós-graduação na área da saúde, buscando tais benefícios desde a formação dos profissionais. 
Como praticar e aplicar mindfulness?
Como é uma prática de mindfulness?


Cuidados e orientações antes de iniciar
Alguns cuidados e orientações são importantes para quem pretende iniciar e manter uma prática de mindfulness (24):

De preferência, em especial no início do treinamento, encontrar um lugar mais silencioso e com pouca distração. Plugues de proteção sonora para os ouvidos podem ser utilizados em locais mais barulhentos;
Reservar tempo e espaço na agenda diária para a prática. Independentemente do tempo que se pretende praticar naquela sessão (5, 10, 15, 30 minutos etc.), o uso de um alarme (ou aplicativos de celular com foco em mindfulness) que marque o fim da sessão é recomendado para que o praticante evite ficar preocupado em olhar o relógio durante a prática;
Usar roupas confortáveis e adequadas para a temperatura do local. Lembrar que a temperatura corporal pode cair levemente durante a prática, assim o uso de um cobertor leve pode prevenir eventuais desconfortos;
Sentar ou deitar em posição que permita pouco ou nenhum desconforto durante o tempo de prática. O uso de colchonetes, travesseiros ou almofadas é recomendado. O pescoço deve estar em posição neutra e confortável. A coluna deve estar ereta quando sentado, com ombros alinhados e mãos apoiadas nas pernas, para evitar desconforto na cintura escapular;
Os olhos podem estar fechados ou abertos. Quando abertos, devem ficar relaxados, sem focagem específica;
Evitar refeições copiosas ou jejum muito prolongado antes das práticas;
Praticar por períodos menores no começo (5-10 minutos), aumentando progressivamente o tempo da prática, conforme possibilidades e necessidades de cada um;
Ser persistente e regular, pois melhores benefícios e progressos virão com a prática diária e regular;
Praticar em grupos e/ou ter um instrutor qualificado pode ajudar na adesão e manutenção das práticas. O uso de práticas audioguiadas pode ajudar também;
Ter em mente que algum desconforto, nas costas ou nas pernas, por exemplo, pode ocorrer em iniciantes. Tentar achar uma posição mais confortável pode ajudar nesses casos;
Ter em mente que as práticas de mindfulness ou outras técnicas meditativas podem eventualmente trazer à tona estressores ou traumas preexistentes e/ou reprimidos, por isso o apoio de um instrutor qualificado e/ou de um profissional da saúde é importante nessas situações, em especial para pacientes.
Apesar dos inúmeros benefícios e da simplicidade das técnicas de mindfulness, tanto profissionais quanto pacientes devem ter consciência de que estas não substituem os tratamentos médicos e de outros profissionais da saúde.
Prática de mindfulness com foco na respiração(24)
A seguir, será apresentada uma técnica meditativa do tipo mindfulness (prática formal), que utiliza como âncora a própria respiração, uma das mais utilizadas para iniciar o treinamento. É segura e de simples aplicação para a população geral e pacientes. Tendo como base os cuidados e orientações explicitados anteriormente, deve-se seguir os passos abaixo(24):

1. Adotando uma posição confortável, sentado ou deitado, deixar o corpo se estabilizar na posição. Pode-se fazer uma ou duas respirações mais profundas para trazer a atenção para o corpo, como também começar lentamente a observar as sensações no corpo naquele momento (contato com o chão ou cadeira, temperatura da pele, possíveis desconfortos etc.);
2. Gradualmente, começar a trazer a atenção e a observação para os movimentos do corpo durante a respiração, como os movimentos do tórax e do abdômen na inspiração e expiração do ar, ou ainda a sensação do ar entrando e saindo pelas narinas durante a respiração. É importante seguir o fluxo natural da respiração, sem tentar alterá-lo, apenas observando-o;
3. Mantenha então a observação da respiração como âncora da atenção e da mente momento a momento, a cada respiração;
4. Eventualmente, se alguma distração, pensamento, imagem, sensação ou preocupação vier à tona, gentil e simplesmente apenas perceba e deixe passar, sem se prender ou julgar, voltando novamente a observação para a respiração;
5. Antes de encerrar a sessão, traga novamente a atenção e a observação para as sensações em todo o corpo naquele momento, e lenta e gradualmente termine a prática.

Conclusão
A aplicação de mindfulness no campo da saúde e na APS tem grande potencial para melhorar o estado de saúde e o bem-estar da população em geral e de pacientes, particularmente os portadores de condições crônicas associadas a sintomas de ansiedade e depressão. Os médicos de família e comunidade e as equipes de saúde da família deveriam incorporar mindfulness em seus planos e projetos terapêuticos, constituindo-se efetivamente em importantes agentes desencadeantes dessa terapia complementar efetiva e promotora de saúde no Brasil.
Marcelo Demarzo - Médico pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – U. de São Paulo (FMRP-USP); especialista em medicina de família e comunidade pelo Programa de Residência Médica do Hospital das Clínicas da FMRP-USP; doutor em ciências médicas pela FMRP-USP; docente do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp); pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo; instrutor certificado de mindfulness com treinamentos na Inglaterra (Instituto Breathworks) e nos EUA (Center for Mindfulness in Medicine, Health Care, and Society – University of Massachusetts), com Jon Kabat-Zinn e Saki Santorelli; coordenador do Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde, Unifesp (www.mindfulnessbrasil.com) e responsável pela especialização em mindfulness da EPM-Unifesp. 

[1]Este texto é um resumo expandido do capítulo Mindfulness Aplicado à Saúde, a ser publicado pelo Promef em 2016-2017.

PARA SABER MAIS
ALGUNS SITES ESPECIALIZADOS EM MINDFULNESS E SAÚDE
www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde - Unifesp) 
www.mbrpbrasil.com.br (Centro Brasileiro de Pesquisa e Formação em MBRP – Unifesp) 
www.goamra.org (American Mindfulness Research Association, Estados Unidos - informações em inglês)
www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação Mindfulness na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos - informações em inglês)
www.breathworks-mindfulness.org.uk (Instituto Breathworks, Inglaterra, Reino Unido - informações em inglês)

Referências bibliográficas
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terça-feira, 14 de março de 2017

Mindfulness no Corpo dos Marines dos USA

What You Need to Know about Mindfulness Meditation

A Marine with Marine Heavy Helicopter Squadron 463 sits on the ramp of a CH-53E Super Stallion helicopter after completing a portion of a joint Downed Aircraft Recovery Team exercise aboard Marine Corps Training Area Bellows, July 30, 2015. Marine Corps photo by Cpl. Brittney Vito
A Marine with Marine Heavy Helicopter Squadron 463 assumes a meditative position on the ramp of a CH-53E Super Stallion helicopter. Marine Corps photo by Cpl. Brittney Vito
Mindfulness meditation swiftly gained popularity as a self-care strategy for improving psychological health symptoms and overall resilience. Clinical evidence shows that this strategy works.
The Defense Centers of Excellence wrote a series of mindfulness blogs to help you understand what mindfulness meditation is, how it can help, what studies and data support it, and how individuals can integrate it into their daily lives. Below is a quick rundown on the entire series, including what you need to know about mindfulness meditation and how to get started.
What is mindfulness meditation?
Mindfulness meditation comes from a Buddhist tradition. It increases awareness of the present by focusing on your breathing, body and thoughts. With continual practice, this technique trains the brain to stay in the present moment and can help you accept things for what they are, without judgment.
Mindfulness Meditation for Healing
In addition to traditional techniques of meditation, which can be practiced at home or at community meditation centers, there are several group mindfulness-based therapeutic techniques developed for clinical environments. These techniques are proven effective in treating psychological health challenges such as depression or post-traumatic stress disorder. Each combines group training in mindfulness techniques with daily practice tailored to a specific clinical condition, as well as various forms of follow-up. Ask your mental health counselor whether one of the techniques might work for you.
U.S. Army Spc. Melanie McConathy maintains a meditative posture during a preliminary Zen meditation practice, April 4, 2013. U.S. Army photo by Spc. Margaret Taylor
U.S. Army Spc. Melanie McConathy maintains a meditative posture during a preliminary Zen meditation practice, April 4, 2013. U.S. Army photo by Spc. Margaret Taylor
  • Mindfulness-based Stress Reduction
  • Mindfulness-based Cognitive Therapy
  • Mindfulness-based Relapse Prevention
Mindfulness meditation is also helpful for traumatic brain injury. Mental distractions, such as too much excitement, anxiety and other mental stress, are hallmarks of TBI and can affect the healing process. According to experts, this meditation technique is a simple and effective way to help an injured brain give itself a little rest and recuperation.
Research
Though it is a new concept to integrate mindfulness as a part of therapy, there are studies that validate its impact on treatment of psychological health that also helps physical health.
Feedback from recent studies is very positive, as each participant not only shared the positive results of the mindfulness meditation itself, but also the benefits for a wide range of conditions experienced within the group, including PTSD, chronic pain and anger management. Participants also experienced other unexpected positive benefits – check out this story about an Army study of mindfulness meditation.
Getting Started and Tips
Starting a mindfulness meditation practice doesn’t take too much time: you only need 5 to 10 minutes. That’s the amount of time you might spend waiting in line for coffee. The posts below will help you get a jumpstart on mindfulness and offer tips to help in various situations.
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quinta-feira, 9 de março de 2017

Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração


Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração


As terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração abrangem um grupo heterogéneo de tratamentos psicoterapêuticos, como a Terapia de Aceitação e Compromisso, Terapia Cognitiva Baseada no Mindfulness ou a Terapia Focada na Compaixão. Este conjunto de tratamentos oferece uma visão humanista do conceito de saúde mental, defendendo que o bem-estar (emocional, psicológico e social) não advém, apenas, da simples ausência de problemas psicológicos significativos.

O processo terapêutico não se concentra, única e exclusivamente, na redução, e eliminação, de sintomas. Ao invés, o fócus da terapia dirige-se para a
 identificação de valores e objetivos do paciente e para a sua relação com os seus processos internos (emoções, pensamentos), e a forma como estes influenciam a sua interacção com o mundo exterior.
Através da relação terapêutica o paciente é “convidado” a assumir uma postura de curiosidade, abertura e aceitação em relação às suas experiências internas, permitindo fomentar o desenvolvimento de mecanismos funcionais, positivos e adaptativos que redefinem a forma como o paciente se coloca perante si mesmo e o mundo que o rodeia.
As terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração conferem ao paciente as ferramentas necessárias para que este possa cultivar um estado de consciência caracterizado pela claridade e prestar atenção em relação à experiência do aqui e do agora. Esta abordagem, designada de mindfulness, encontra raízes em tradições budistas milenares e destina-se a alcançar um estado de atenção e aceitação, tanto em relação aos processos internos, como o respirar, as sensações corporais, os pensamentos e as emoções, como aos objetos externos, utilizando os sentidos.

terça-feira, 7 de março de 2017

Fim de semana con Michael Schwammberger


Os Oito Níveis da Consciência 

 Thich Nhat Hanh


CANNES, FRANCE - MAY 22:  Exiled Vietnamese Buddhist monk Thich Nhat Hanh attends a photocall promoting the film 'Buddha' during the 59th International Cannes Film Festival on May 22, 2006 in Cannes, France.  (Photo by Peter Kramer/Getty Images)
O primeiro nível da consciência é a consciência do olhar. A forma é o objecto dos olhos. Quando os olhos e a forma encontram um ao outro, eles trazem a “visão” sobre a consciência do olhar. A consciência do olhar sempre tem contacto, atenção e sentimentos, porque qualquer consciência tem as cinco formações mentais universais dentro dela. Elas acontecem muito rápido, talvez em menos de um milissegundo.
Da segunda até a quinta consciência temos: a consciência da audição, a consciência do olfacto, a consciência do paladar, e a consciência do corpo. Corpo e toque, língua e gosto, nariz e cheiro, ouvido e som, olhos e forma. Essas consciências são um tipo de fluxo; a sua natureza é um continuum, sempre passando por nascimento e morte.
É como a chama de uma vela. Nós temos a ilusão, a falsa percepção, de que é uma chama, mas ao invés disso há uma sucessão de milhões de chamas juntas sem interrupção. Quando alguém desenha um círculo com uma tocha flamejante, poderá ver um círculo de fogo. Mas isto é uma ilusão de óptica. Quando o movimento é feito muito rapidamente, tem a impressão de que há um círculo todo de fogo ao invés de apenas uma chama.
A consciência tem a natureza da cinematografia, com uma imagem seguindo outra, dando a impressão de que é algo contínuo. Assim todas as cinco consciências operam desta maneira. Quando vê um elefante caminhando, há uma sucessão de imagens do elefante, sujeito e objecto sempre mudando. Essas cinco consciências podem parar de operar e manifestar-se de novo quando existem as condições certas. Elas não são contínuas como as outras consciências. Quando vai dormir, talvez três, quatro, ou cinco param de operar continuamente.
De acordo com os ensinamentos budistas, quando elas operam sozinhas sem a consciência da mente, elas podem ter a oportunidade de tocar a dimensão absoluta da realidade, ou última. Não há pensamento. O primeiro momento de tocar e sentir pode ajudar essas cinco consciências a tocar a dimensão absoluta, tocar a realidade. Isto é chamado em sânscrito de pratyaksha. Há um contacto directo, sem discriminação ou especulação. Mas quando as cinco colaboram com a consciência da mente, então o pensamento, a discriminação, a especulação instalam-se e elas perdem o contacto com a dimensão absoluta, com a realidade.
A sexta é chamada de consciência da mente. Ela também pode ser ininterrupta(???), se entrar num coma, ou dormir sem sonhar, ou entrar numa meditação sem pensamento, sem percepção. Se sonha enquanto dorme, a sua sexta consciência ainda opera, mas ela não obtém forma, som, etc. das cinco primeiras, mas da oitava, a consciência armazenadora. 

A consciência armazenadora contém as sementes de tudo, assim o mundo dos sonhos é criado a partir da consciência armazenadora.

El Secreto de la Flor de Oro
"Imaginemos que la conciencia es una esfera. La parte de arriba corresponderia a la mente consciente, lo que vemos y sentimos; la parte de abajo la constituiría el almacén subterráneo del a conciencia. En este ultimo espacio hay semillas buenas, de atención, plena consciencia y amor que conviven con semillas de aflicción, de experiencias impregnadas de dukha." "formaciones mentales de codicia, odio, coraje, ira, celos, tristeza"
"Jung difiere del budismo porque considera el "inconsciente" como una realidad esencial"
"analogía de la conciencia como un campo de cultivo (...) neutro en si mismo admite tanto felicidad como desesperación (...) El depósito lo conforman aquellos nudos internos que llevamos en el "subconsciente freudiano y que determinan las tendencias y modos de actuar (hábitos) frente a los diversos eventos y experiencias que vivimos." ... Esas semillas nacen a la "conciencia manifiesta"
Todas as consciências se manifestam a partir da base, das sementes armazenadas. A semente da consciência do olhar dá origem à consciência do olhar. A semente da consciência do olfacto dá origem à consciência do olfacto. Objecto e sujeito surgem ao mesmo tempo.
A sétima é manas, o solo para a sexta consciência (consciência da mente) se apoiar a fim de manifestar-se. Manas tem uma visão errada sobre si mesmo. Está sempre procurando prazer e tentando evitar o sofrimento. Manas ignora a parte boa do sofrimento e os perigos da busca pelo prazer. Manas ignora a lei da moderação. Um praticante deve tentar instruir manas a transformar as visões erradas a respeito de si. Nós devemos instruir manas sobre o facto de que há um grande perigo na busca pelo prazer; que nós não deveríamos tentar fugir do sofrimento porque que se nós soubermos fazer bom uso do sofrimento, a felicidade verdadeira se tornará possível. Este é o trabalho da meditação.
A consciência da mente com concentração plena pode ajudar a abrir um novo caminho na consciência armazenadora. Todas as acções que nós praticamos são preservadas pela consciência armazenadora. Qualquer pensamento que nós tenhamos produzido hoje ou ontem, seja na linha do pensamento correto ou do pensamento não-correcto, é sempre armazenado. Nada é perdido, e irá retornar em algum momento como retribuição.
A consciência armazenadora recebe a informação, recebe a acção, e as processa e permite que amadureçam, e se aperfeiçoem. O amadurecimento pode aparecer em qualquer momento. As sementes da informação podem se manifestar na tela da consciência da mente. O armazenamento pode ser comparado com um disco rígido, o qual mantém e armazena a informação. Mas a informação no seu disco rígido é estática, ela não está viva, enquanto todas as sementes na consciência armazenadora estão vivas e mudando a todo momento, passando por nascimento e morte, renovando-se todo o tempo; elas são coisas vivas.

Características das Sementes na Consciência Armazenadora
A bija*, as sementes, têm características. A primeira característica de uma semente é Kshanakarma em sânscrito. Ela significa passar por nascimento e morte a todo momento, cinematograficamente, sempre mudando, sempre evoluindo. Não como as informações que armazena no seu computador que permanecem as mesmas. Elas estão vivas, crescendo, amadurecendo. A sua natureza é instantânea (em sânscrito, Kshana); isto significa que elas subsistem apenas por uma unidade de tempo muito curta.
O segundo aspecto das sementes é sahabhu em sânscrito. Isto significa que a semente de uma formação mental e a formação mental coexistem, servindo como causa e efeito uma a outra. Elas estão sempre juntas como a esquerda e a direita. Por exemplo, a causa e o efeito se manifestam ao mesmo tempo. Como o sujeito e o objecto, esquerda e direita, acima e abaixo.
O terceiro aspecto das sementes é bhavangasrota em sânscrito. Ela forma uma série contínua. Ela gera suas próprias frutas e sementes, de novo e de novo. Ela faz um continuum. Ela não é um objecto estático, ela é um fluxo. Ela tem a sua própria natureza: uma semente de milho manifesta-se apenas como uma planta de milho. A semente da raiva tem a raiva como a sua natureza, não pode misturá-la com a semente da compaixão.
O quarto aspecto das sementes é vyakrta em sânscrito. Isso significa que a sua natureza como saudável, neutra ou não-saudável é determinada. Cada pensamento, palavra, ou acção que faz pode ser classificada também como neutra, saudável ou não-saudável.
A quinta característica é que as sementes estão sempre prontas para se manifestarem quando as condições são boas. A manifestação de uma semente pode ser ajudada ou bloqueada por outras condições.
A sexta natureza das sementes é que as sementes sempre dão frutos. Uma semente traz o seu próprio fruto. Esta é a lei da retribuição. Um bom acto trará um bom resultado. Um discurso feliz e de compaixão trará um bom resultado. Assim a semente de milho manifesta-se apenas como uma planta de milho, e não outra coisa.



*No Hinduísmo e Budismo, o termo sânscrito बीज (bīja) (em japonêsshuji (種子? literalmente "semente")), é usado como metáfora para a origem ou causa das coisas. Wiki
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